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Genève
lucelena maia
Desde quando estagiei no Capril Les Bois des Louvieres,
de
propriedade de Mr. e Mme Milliet, nas proximidades de Paris,
aprendendo a técnica de inseminação artificial e queijos mofados,
ficou o desejo de retornar à Europa e conhecer Genève, tão bem
detalhada pela família Milliet.
Conseguiram, à época, colocar-me apaixonada
pela campeã
no
mundo em qualidade de vida.
Dizia Mme. Milliet: - Genève tem muito a oferecer em cultura,
em
variedade e qualidade. E, o ponto de partida são
os museus, a começar pelo Musée D'art Et D'Historie construído
entre
1903 e 1910.
Ah! Havia empolgação na voz dela,
sugerindo que eu visitasse
Musée Et Centres D'Art, Musée D'Histore
Naturelle, Musée D'Ethnographie.
Eu recebia o mais detalhado relato, e quando
pensava que já ouvira
tudo, Madame Milliet completava:
- Galerias! Não deixe de visitá-las, minha querida, são muitas,
com as melhores e mais sofisticadas vernissage.
Eu
ficava imaginando o casal, nem tão jovem, curtindo a cidade
da forma romântica como a mim apresentavam.
Eu não poderia deixar de conhecer Genève.
Dediquei-me integralmente à caprinocultura leiteira durante longos
cinco anos, especializando-me em reprodução e inseminação
artificial, e também tornei-me chef,
gerenciando fino restaurante,
em uma rede de hotéis que propiciou-me viajar pelo mundo
a
ensinar truques da cozinha francesa.
Foi, então, que surgiu a oportunidade de Genève.
Para o
Hôtel Beau-Rivage
. Começava uma longa jornada de trabalho,
mas, certamente, de lazer também.
Era maio, a primavera já se apresentara, mas o clima, ainda um
pouco frio, pedia o uso de casaco, no entanto eu podia ver caloroso
sorriso
nos lábios do elegante
povo que circulava pelas ruas.
Eu
caminhava pela Rue de La Corraterie,
apreciando a arquitetura conservadora do século XV ou XVI,
quem sabe XVII, não sei bem, misturada
aos prédios mais
modernos, predominando a elegância da tradição
européia, com
construções despojadas tanto quanto aristocráticas
misturadas às flores
primaveris.
Ah! O casal Milliet não poderia ter descrito melhor, Genève encantava
meus olhos. Eu caminhava descontraída, como todos ao meu lado,
porém eu não perdia um único detalhe, a começar pelas bandeiras
esvoaçantes, sobre
alguns prédios, como se Genève estivesse em festa,
apresentando suas lojas comerciais.
Encantada, entrei em
uma delas para comprar souveniers.
Eu rodopiei, quando dela saí, com sacolas na mão,
expressando a fascinação pela limpeza e paz que
a
cidade me transmitia.
Durante o trajeto de volta ao hotel, falei alto e em bom
português; tranqüilidade.
Cidade, você me transmite tranqüilidade.
Eu, que havia feito um tour, desfilado pela Pont de la Machine
e, também pela Pont des Bergues, pretendia conhecer, ainda, o Grand
Théâtre de Genève e a Cathèdrale
Saint-Pierre no dia seguinte.
E, assim o fiz, guardando comigo a mais fascinante visão.
Definitivamente a
arquitetura da cidade me
enlouquecia de prazer.
Jamais, em época alguma, eu apagaria da memória
a
Cathèdrale St-Pierre,
local ideal para me casar.
Acabei rindo de mim mesma.
Talvez eu estivesse me redescobrindo, ali.
Será?
Não!
Eu
já não vivia de sonhos, não esses, que nos coloca bobos.
Meus sonhos subiam degraus bem amadurecidos, eu queria sim,
encontrar um companheiro e com ele aproveitar todo
aquele romantismo de Genève.
Passei a observar os homens:
Elegantes, serenos, tanto quanto misteriosos
e
olhar penetrante.
Eram altos. Sotaque de arrebatar qualquer coração.
Quem sabe eu tivesse a sorte de cruzar com a
paixão e aproveita-la ao máximo, ali!
Descobrir diferenças,
trocar experiências.
Passei as mãos pelos cabelos e ri, só faltava um alto-falante
para anunciar meus pensamentos.
Eu
não estava em busca de aventuras e sabia muito bem porquê.
Claro, visitei todos os museus mencionados pelo
fraterno casal, e
qual não foi minha surpresa, quanta riqueza, quanta cultura, quanta
tradição, quanto respeito à história deles e dos muitos
talentos consagrados da europa.
Com poucos dias em Genève pude ver o que já sabia, uma cidade
extremamente organizada por seus serviços públicos,
transportes e
hospitais. Lembrei do
meu país, e desta distante realidade.
Nostálgica e com certa tristeza voltei ao Brasil, em pensamento,
lembrando todo
o trabalho que me aguardava assim que retornasse.
Dei uma última olhada para a cidade, da janela do hotel.
Sorri, lembrando do
casal Milliet. Eles sabiam aproveitar a vida.
Trabalhavam pensando na
chegada das férias.
Haviam me confidenciado este fato, numa conversa
regada
a vinho, ao lado da
lareira, num daqueles muitos dias frios de janeiro.
Quem sabe, em breve,
estariam visitando, outra vez, Genève.
Chegando ao Brasil, escrever-lhes-ia, contando toda a boa
experiência
vivida através da ótica deles.
Fechei a cortina, respirei fundo e desci para
o
saguão do hotel.
Encerravam-se dias de muito trabalho, mas, de
lindos passeios,
também.
Inesquecíveis, eu poderia dizer, sem a menor
demagogia.
Genève ficaria na minha memória ao som de La Vie en Rose, música que
ouvi quando parei para observar linda torre, com enorme relógio,
na
Rue de la Tuor de I'lle, numa ilha, no meio do rio Rhône.
De onde viera aquele
som!
Da
minha imaginação?
Acho que nunca saberei!
12/5/2004
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