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Trama
Familiar com riqueza de detalhes
 Lucelena Maia lança livro “Um Alvo Calculado”,
hoje à noite
Gustavo Moreira
Repórter
O País dos romances e das ficções já teve
oportunidade de aplaudir obras assinadas por alguns dos autores
mais importantes da literatura brasileira, como Jorge Amado,
Nelson Rodrigues, Luis Fernando Veríssimo, Ariano
Suassuna e tantos outros. Embora com estilos diferentes,
todos os escritores carregam consigo o jeito brasileiro de
contar histórias. Tramas bem amarradas que prendem
o leitor no virar de cada página. As referências
estão nos precursores de cada gênero. Difícil
acreditar que no interior existam profissionais com capacidade
literária à altura, mas tem sim. Marinheira
de primeira viagem, a escritora Lucelena Maia que reside
em Uberlândia há dez anos, lança a sua
primeira obra, denominada “Um Alvo Calculado”.
A produção da Editora Scortecci, de São
Paulo, será lançada oficialmente hoje, às
20 horas, no Casarão Grill, em Uberlândia.
O texto que foi escrito em 1996 e ficou sete anos na gaveta
até receber
o aval da autora para ser publicado. O tempo relativamente longo foi utilizado
para o que ela classificou como “processo de amadurecimento”. A
autora explica o motivo de tanto cuidado: “respeito ao leitor”.
A espera relativamente longa foi suficiente para que a peça fosse revisada
várias vezes. Os personagens que compõem a trama foram pensados
um por um, conforme relatou. Detalhes como a personalidade, participação
no enredo, autonomia e a contribuição à história
foram minuciosamente pensados várias vezes. Durante este período,
a literata também trabalhou em outros projetos e produziu outras duas
obras que ainda não foram lançadas.
O livro de 360 páginas mais se parece com o roteiro de cinema, minissérie
ou telenovela. A riqueza de detalhes surpreende o leitor a cada capítulo.
Especificação de datas, situações descritas com
riqueza, colocação das personagens no desenrolar da história.
A cronologia dos fatos também é perfeita. A trama se passa em
torno da vida de uma família de classe média que vive no Brasil
da década de 90. A modernidade está presente no trabalho na abordagem
de assuntos como o Mercosul, a estrutura industrial do País e o jogo
de poder das relações de comerciais no fim do século 20.
Os filhos do casal Albuquerque Cukelan geralmente se dedicam à atividade
da família, dona de farmácias. Formados em química, os
herdeiros se dedicavam ao projeto de dar continuidade aos negócios dos
pais. Mas um deles foge à regra e monta um negócio diferente,
apesar de também estar ligado ao ramo químico. A indústria
de refrigerantes Native&Cuke é o palco para muitas disputas. O herdeiro,
que rompeu com o gosto dos pais, foi o mais bem-sucedido deles, mesmo sem ter
vivido o suficiente para ver o sucesso da empresa que idealizou.
O cenário para a história dos Albuquerque Cukelan é o
Brasil da região Sul. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina
foram um dos mais belos palcos possíveis dentro do território
nacional para ser retratado numa produção literária. Paisagens
exuberantes como a do Município de Treze Tílias, na Serra de
Santa Catarina. Praticamente um povoado, o lugar, habitado por descendentes
austríacos, tem uma população de cinco mil habitantes.
O livro de Lucelena Maia será lançado primeiramente em Uberlândia
e depois será apresentado também em outras cidades. De acordo
com a agenda da escritora, as próximas serão Novo Hamburgo, no
Rio Grande do Sul, Goiânia e Treze Tílias.
Interesse por narrar contos
começou cedo
Lucelena Maia é uma administradora de empresas que
já sentiu na pele o estresse da cidade grande e optou
por dar espaço para as inspirações literárias.
A correria dos trabalhos em indústrias de São
Paulo deu lugar à paciência para observar o
mundo. Viagens, olhar estrangeiro sobre as pessoas e lugares
e, principalmente, muita sensibilidade. Essas foram algumas
das ferramentas de trabalho utilizadas pela escritora. O
talento para criar histórias, segundo avaliou, vem
desde a infância. A vida confortável que a profissional
leva hoje nem sempre foi assim. Filha de uma família
pobre, quando criança morou na periferia de Santo
André, uma das cidades que compõem o ABC Paulista. “Tive
a oportunidade de ver uma realidade social difícil,
o que marcou muito a minha vida”, conta.
Primeiros contatos
Os primeiros contatos com
a literatura também foram
na infância. A escritora se lembra da facilidade que
tinha para compor histórias e criar personagens. “Eu
montava um enredo inteiro na minha cabeça”,
recorda. A ex-aluna de colégios públicos lamenta
não ter tido acesso desde cedo a mais produções
literárias. Conforme relatou, os livros que lia, eram
emprestados pelo colégio. “Na minha adolescência
não tive oportunidade de ler os clássicos como
O Pequeno Príncipe. Algumas coisas aconteceram mais
tarde na minha vida”, avalia.
Acesso
Mas a dificuldade de acesso
aumentou ainda mais a vontade da jovem alegre e esperançosa. Sempre resignada, a
autora diz que a garra e a força de vontade para lutar
pelos objetivos foram adquiridas nas épocas difíceis.
Fórmula para alcançar o sucesso ela não
tem, mas Lucelena falou um pouco do que pode ser feito para
mudar uma realidade às vezes cruel. “Não
reclamo de nada. Os momentos difíceis pelos quais
passei vejo como crescimento”, pontua. Jornal
Correio
03 de julho de 2003 – quinta-feira
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