Ao som do clarim
lucelena maia
A
o trampolim da vida me agarro,
Ensaiando o que sou, ao som do clarim,
Sim, a música me é o melhor recado;
Ela é, de fato, calmante para mim.
Hoje componho meus passos e caminho
Com letras enraizadas em segura mão,
Sem delegar refrões aos passarinhos;
Eles vivem no ar e eu preciso de chão.
As vestes queimadas, sem piedade,
Pespontadas que eram de senões e chagas,
Viraram cinzas, ao vento foram jogadas.
A
s cicatrizes de dor que varriam meu corpo,
Com entalhes profundos marcando o rosto,
Assim como as vestes, com o vento se foram.
09/08/2005
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