pintura: Valdez
 
 Casa da Fazenda
                                                      Lucelena Maia
 
 
Lembro, como se fosse hoje
das férias que eu amava,
a simples casa da fazenda,
e meu avô indo nos buscar na estrada.
 
 
A viagem longa e tranqüila
fazia-me feliz como ninguém...
As intermináveis horas no trem,
o carro de boi na estrada de chão...
 
 
Faz tempo, mas ainda penso ouvir,
quando passo por aquelas bandas,
minha avó gritando "vem logo,
junte-se aos grandes!"
 
 
Eram jantares memoráveis,
com histórias para todo gosto;
a luz da lamparina iluminando a sala,
e, também, o medo em meu rosto.
 
 
O tempo passou e mudou tudo,
até mesmo a cozinha - cartão postal;
dela, sobrou a foto que um dia tirei,
e faço, hoje, este poema imortal.
 

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