Cruel  Ponteiro
                                        lucelena maia
 
 
 
O som do pêndulo, rebatendo em minha insônia,
Faz os segundos intermináveis  ensurdecerem
 A solidão do meu silêncio, em  sinfonia,
Lembrando  dias que eu gostaria de esquecer.
 
 
Os ponteiros se encontram à meia noite,
E o nosso encontro longe está de acontecer;
O tique-taque marcha livre em meu peito,
Como se eu estivesse condenada a padecer.
 
 
Mãos trêmulas tentam abafar o som no ouvido,
Modesto gesto para quem deseja reacender
E encontrar, oculto nos ponteiros inimigos,
Som mais poderoso que  a ausência de você.
                                                   20/05/2003

 

 

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