
Pintura - Fádua Tannus
Das minhas saudades
lucelena maia
Sinto minha alma buscar,
em devaneio,
Na soleira do tempo, a
fazenda e a casa.
Do alpendre, resgatar o
olhar na estrada,
E as vezes que desejei
nunca partir
Daquela infância regada de
simplicidade,
Do mundo de céu azul
e cristalino riacho,
De lua cheia, invadindo
o pequeno quarto,
Do uivo feroz, penetrando o ouvido,
(Era do lobisomem, meio gente,
meio folclore)
Da chaminé, que
anunciava a hora do café,
Da cozinheira na luta, barriga molhada,
Do fogão a lenha, em plena
atividade,
E da família indo, outra
vez, para a lida...
Sobre a toalha
xadrez, migalhas de pão
e farelos das boas risadas trocadas...
02/6/2004