Enganando-me
                                             lucelena maia
 
Quantos braços me abraçaram,
Em quantos braços me joguei.
Foi revolta, não importa,
Como conseqüência, viciei.
 
Quantas bocas me beijaram,
Quantas bocas já beijei.
Foi despeito, não importa,
O resultado é que gostei.
 
Quantos homens me despiram,
Quantas vezes me entreguei.
Foi obsceno,  não importa,
Ao destino, me abracei.
 
Quantos anos se passaram,
Desde a primeira cama em que deitei.
De todos os homens que me amaram,
Foste o único que eu amei.
 
Quanta humilhação. Tu não me amavas.
Fui objeto  de aposta e de prazer...
Embriagada de ódio, tornei-me ousada,
Deitei-me com todos e fiz saber.
                                                             18/04/2002

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