Estação vida
                  lucelena maia
 
 
Encontrado no varal das estações
Um vestido puído pelo uso na colheita...
Foi o motivo que o levou às imperfeições, 
Foi a causa do tanto transportar de cestas.
 
Não era veste que se visse esvoaçante,
Nem quimérico anjo à bailar no céu,
Mas, do tecido levemente insinuante,
Nasceu a musa do plantio com véu.
 
Foi revelada a mulher madura,
Na pele de uma folha ao vento brando,
Como pluma de um cisne em tremura.
 
 
Despindo-se da volúpia e da candura,
Aceitou o outono impregnado no vestido,
Como o porvir da experiência pura.
 

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