Eu, Poeta
                lucelena maia
 
 
O amor que habita meu interior
Fatigante, se expele,
Transgrede, sorrateiro,
Ao se alojar
Na inspiração de uma sonhadora que,
Inclinada a dar vida ao inesperado,
Faz melodias dos suspiros,
Compõe versos declamados.
Como se poetar
Fosse aventurar o afeto,
 A amizade, a ternura,
A estima e o bem-querer,
O fascínio e a atração.
Mas tão perfeito não poderia ser.
Como poeta, vacilei...
O amor das minhas linhas
 É o mesmo que me inspira,
E esse amor não faz sentido;
Sendo dono dos meus sonhos,
É, também, só um escrito.
Eu, poeta,
Sofro e choro a minha sorte,
Sem entender a inverdade
Que circunda o meu viver.
                                    28/02/2003
 
 
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