Mais um dia
                 lucelena maia
 
Serão, todas as segundas-feiras, sem cores,
Massa cinzenta pesando sobre meu peito,
Feito tormento, no aconchego do leito,
Sem forças para renegar os dissabores?
 
O ano, aos poucos, se finda, e ainda sofro,
Desejando o fantasioso amor que chegaria.
Passam-se dias, vão-se os meses, que agonia!
Misturado aos meus restos, só um sopro.
 
Do fogo que me consumia, sobrou a poesia,  
E, em cada linha, alivio meu pobre coração,
Acariciado por enfraquecido toque de mão.
 
Nos pontos de rima, sem alarde à canção,
Arrasto os versos nas horas, mais um dia
Entregue a inércia; nas segundas, sou apatia!
                                                 17/11/2003
 

 

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