Se olhando

                                  lucelena maia

 
 
Debruçada sobre a janela da alma,
A espionar seu passado, como referência,
Furtou, ao acaso, mais que uma pendência,
Algemada ao ego, nutrindo traumas.
 
Vetos cotidianos impuseram-na a se abster,
Por vezes, de alguma pretensão desejável,
E, por este caminho bizarro,  ignorável,
Fechou, junto a morada da alma, seu ser.
 
O tempo, ilustre afeiçoado, a traçar seus planos,
Armou tropeços, nos empilhados escombros,
E ela, que já não fugia do peso em seus ombros, 
Debruçou  olhos infinitos para vindouros anos.
 
Sem desencadear espionagem ao infortúnio,
Guerreou com o subconsciente, usando lealdade...
Abraçando-se, com coragem, enraizou verdades.
 
Abriu as algemas e libertou o ego, no intuito 
De desnutrir os traumas da alma, a tempo,
E de viver a lição, sem postá-la ao esquecimento.
                                                        21/03/2003 
 
 
 

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